segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Usina de Fukushima vaza água contaminada

Técnicos japoneses anunciaram nesta segunda-feira que 45 toneladas de água radioativa vazaram da central nuclear e que uma parte pode ter chegado ao mar.


Com roupas para evitar a contaminação por radiação,
trabalhadores esperam para entrar na usina  Fukushima
Dai-ichi, em 12 de novembro.
(Foto: David Guttenfelder / AP)
A empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que administra a usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, atingida pelo tsunami de 11 de março, descobriu que houve vazamento de 45 toneladas de água contaminada com estrôncio radioativo, uma substância que, se ingerida, pode causar câncer nos ossos. A Tepco informou que o vazamento, ocorrido em uma calha de um dos prédios da usina, foi descoberto no domingo (4) e que todas as providências para evitar contaminação foram tomadas, mas que parte da água pode ter chegado ao oceano.

Segundo a Tepco, a fuga foi detectada em um dispositivo de reciclagem para eliminar o sal de água radioativa que se acumula na usina. Parte do líquido contaminado poderia ter chegado até uma fundação que se conecta com o mar. Para conter o vazamento, a empresa montou uma barreira com sacos de areia no local. A regularização da situação vai levar até duas semanas.
Antes do vazamento, os trabalhadores fizeram uma verificação no local e não identificaram problemas. A empresa acrescentou que para evitar novos acidentes serão tomadas novas providências, mas não informou quais serão essas medidas.

O novo acidente mostra o tamanho das dificuldades que o Japão enfrenta ao lidar com o desastre nuclear. A grande quantidade de água radioativa existente no local é um dos maiores problemas. Em outubro, o Instituto de Proteção Radiológica e Segurança Nuclear, ligado ao governo da França, divulgou um estudo afirmando que a usina de Fukushima Dai-ichi foi responsável pelo maior despejo de água radioativa no mar na história.

Desde o início da crise nuclear, no dia 11 de março, as autoridades japonesas realizam análise para investigar o impacto do acidente na vida marinha perto da central, já que se estima que entre 21 de março e 30 de abril a unidade verteu ao mar grandes quantidades de césio e iodo radioativo.

A Tepco mantém na central um duplo sistema de descontaminação de água radioativa que se acumula nos seus porões, e que posteriormente utiliza para esfriar os reatores. Segundo a operadora, o escapamento detectado não vai representar nenhum problema acrescentado nos trabalhos de reciclagem nem no processo de esfriamento dos reatores.

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